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porGui Came

Holanda Trip Cervejeira by Gio Tonello

Olá beudos nojentos, aqui vai um relato de mais uma trip cervejeira, essa que fiz com minha esposa, a Alice. Fizemos uma trip por Holanda, Alemanha e Itália. Passamos pelas cidades de Amsterdam, Munique, Veneza, Verona, Florença e Roma, e nessa trip incluímos muitos lugares cervejeiros.

Primeira parada: Amsterdam

Aaaah Amsterdam, capital da Holanda, vizinha da nossa querida Bélgica (dessa vez não deu, mas terá uma trip para lá). Muitas influências belgas estão em Amsterdam, principalmente, cerveja, batata frita e chocolate. Além da influência belga, tem o charme dos canais, as loucuras da red light, bicicletas aparecendo para todos os lados. Obviamente tem muita cultura cervejeira, numa viagem curta é ótimo ir para Amsterdam, a cidade consegue mixar as duas culturas.

Vamos aqui aos relatos cervejeiros de Amsterdam na Holanda.

Dia 1 na Holanda:

Red light

O primeiro dia desenrolou pela tarde, mas compreendeu boa parte de Amsterdam e de quebra encontramos uma cervejaria local. Fomos para Red Light, o lugar mais doido de lá. Primeira parada foi no St Cristopher Inn, que é um hostel e pub, onde meus amigos ficaram em 2012. Fui lá para nostalgia-los e tomei a primeira cerveja da viagem (tirando as Heinekens do vôo), uma Goose Island IPA. Comecei totalmente fora do Script local mas uma ipa sempre cai bem e a Alice pegou uma Jupiler. 


dois copos de cerveja da mesa

Jupiler e Goose Island


Cervejaria De Prael

Rodando pela red light encontramos um brewpub, a cervejaria De Prael, ela estava em minhas anotações, mas encontramos sem querer, entramos lá e peguei uma Tripel (a Willeke) para conhecer. Uma boa pedida, uma cervejaria local, um estilo da escola da região, dentro do estilo, ahhhh adoro Tripel!!!! Lembro que quando saímos, vi que tinha a régua com 5 estilos, meu vacilo, devia ter feito essa opção pois conhecia melhor essa cervejaria, mas a tripel foi uma ótima pedida. Como ainda tínhamos mais a visitar, ficamos por isso na De Prael, com gostinho de quero mais. Ainda nesse dia, pegamos uma cerveja e uma sidra num mercado e descobrimos que na rua só podia beber nos canais, exceto na própria red light, devido o seu movimento.  A cerveja que peguei foi minha primeira Brouwerij ‘t IJ, outra Tripel, bebemos no canal e seguimos viagem na red light.


Luminoso da cervejaria

De Prael

copo de cerveja sobre a mesa

Trippel


Dia 2 na Holanda:

Heineken Experience

Heineken, aaaaaaah, enquanto escrevo estou tomando uma. A lager! Sempre quando não tem uma cerveja minha ou diferente, tô na Heineken… Tudo acaba em Heineken. Então, obviamente, deveria ir na Heineken ExperienceDica, sempre é cheio lá, então reserve seu ingresso do Brasil. Reservamos para às 11 horas, mas eu ansioso como sempre, causei o terror na Alice e chegamos às 9 horas. Além de ter passado numa feirinha, demos uma volta no quarteirão e encontramos um mercado, o Dirk!!!!!!!!!! Puta que pariu, esse mercado tem uma área só de bebidas alcoólicas. O leque de cervejas era animal: la trappe, chimay, St Bernadus, De molen e etc. Já avisei a Alice que depois da Heineken voltaríamos.


botton da ccdbr em frente a fabrica da heineken na holanda

Heineken Browerj


A Heineken Experience cumpre bem seu papel, explica as etapas de como faz uma cerveja (dando ênfase na levedura A), mostra os equipamentos da cervejaria e tem algumas coisas lúdicas, como coisas em realidade aumentada. Num contexto geral, como cerveja de massa, é muito boa pro público geral. No fim ainda ganha duas cervejas para tomar. Vale a pena a visita, cervejeiro, brahmeiro, sommelier ou não bebedor. Mas fica a dica: NÃO COMPRE O COPO DA HEINEKEN LÁ!!!!! No mercado que comentei acima, voltamos para pegar algumas cervejas: St Bernadus Abt 12, De molen Hel & Verdoemenis, Kriek Lambic da Morte Subite e a Tripel Karmeliet (que não canso de beber, mas está muita cara aqui no Brasil).


giovani em frente a tina de fervura

Tina de fervura de cobre

torneiras de chopp da heineken

Torneiras da Heineken


Supermercado Dirk

Entre cervejas e outras, encontrei o mesmo copo da Heineken vendido a um quarteirão de distância no Heineken Experience por uns 5 euros, e no mercado a uns 80 centavos. Fiz a festa nesse mercado!! Voltamos pro hotel e a noite passamos em mais lugares cervejeiros. Primeiro lugar da noite foi o Beertemple, esse bar eu ficava diariamente vendo no site o que estava engatado (assim como faço com o EAP), mas assim como o EAP, chegamos lá e achamos tudo meio caro, e muitas coisas puxada pra escola Americana (eu queria belgaaaaa, porraaaaaa). Peguei uma saison, a Northern Farm Eagle, da cervejaria Morebeer, da Holanda. Gostei, mas não me impressionou, tomei Saisons Brasileiras melhores (alooou Tony). 


prateleiras de supermercado com garrafas de cerjeva

Supermercado Dirk

garrafas de cerveja

Cervejas compradas no Dirk


Beertemple e Arendsnest/Lugar Inesperado

Depois saímos para o Arendsnest, bar cervejeiro igual e perto ao Beertemple, porém estava lotado, não dava pra pedir cerveja. 🙁 Achei que a noite acabava ali, maaaas Deus ajuda os beudos, e voltando pra linha de bonde para nosso hotel caímos num café (que é o boteco holandês, francês e provavelmente, belga), fui ver o cardápio, belgaaaaas, muitas belgaaaaas, pedi a MC Chouffe, irmã escura da La Chouffe, uma Dark Strong Ale. Que cerveja foda… Depois voltamos pro hotel e ataquei algumas daquelas que comprei no mercado hehehehe, destaque para Hel & Verdoemenis, puta RIS fudida da De Molen. Obs.: O Cervejeiro da De Molen tá vindo pra Slow Brew agora em novembro, e fará cervejas com a Trilha e Dogma.


Mc Chouffe

copos de cerveja no balcão

Beer Temple

rotulo de uma garrafa

Hel & Verdoemenis


Dia 3 na Holanda:

De Bierkoning

Eitaaaaa, esse dia eu quis transformar Amsterdam em Bruxelas, Holanda em Bélgica…. 


homem bebendo cerveja em frente ao bar

De Bierkoning


O dia começou com a gente indo pra casa da Anne Frank (OFF: visitem a casa/museu dela, história, 2a guerra, foda!), mas antes do nosso horário passamos num mercado do outro lado do canal, pedi uma Heineken às 9 da manhã. O vendedor olhou pra mim e disse: “Minha primeira venda do dia, uma cerveja….. comecei bem o dia!!!!” É rapaz, começamos, e ainda tinha muita coisa por vir. Depois da Anne Frank, o paraíso: De Bierkoning, a loja de cervejas de Amsterdam.


Bierkoning


Desde o planejamento da viagem, queria ir nessa loja para pegar a Westvleteren 12, e óbvio que peguei (mesmo com seus 14 euros), e ainda uma De Molen Vuur & Vlam (uma ipa que tomei no caminho), uma Gouden Karoulos Cuvee para levar no festival da Confraria Cervejeiros do Brasil (onde bebemos na madruga beudos kkkk), uma Kriek Lambic da Lindemans e uma Cantillon pros Lobinhos, que além de um monte de dicas cervejeiras que eles me dão, me deram uma dica espetacular para esse mesmo dia que contarei logo mais.


rotulo de lata de cerveja

Vuur & Vlam


Brouwerij ‘t IJ

A loja é espetacular se tivesse mais tempo e mais dinheiro, iria todo dia e pegava mais e mais cervejas, existia uma área só de lambics, uma de belgas/holandesas, americanas, inglesas e outras do mundo, além de uma parte de copos. Sai boquiaberto, mas o dia teve que seguir. Mais tarde fomos para uma cervejaria do outro lado da cidade a Brouwerij ‘t IJ, cervejaria local. Essa cervejaria tem uma coisa única em Amsterdam, em cima tem o único moinho da cidade (e o maior da Holanda), uma boa opção para você levar sua esposa para ela se encantar com o moinho e você beber hahahaha.


homem em frente ao moinho da cervejaria

Moinho da Brouwerij ‘t IJ


Nessa sim, pegamos a régua, que tinha cervejas da escola belga: Blond, Dubbel, Tripel, Witbier e Strong Golden Ale, a régua era acompanhada de queijinhos da Abadia ST Bernadus, e além da régua peguei uma Black Rye IPA e uma IPA. O lugar é meio cheio, mas era um sábado. Vale muito a pena a visita, cena artesanal pega forte lá, além da escola belga. Visitem!!!


regua com copos de cerveja e um prato de queijo

Regua cervejeira


Zwanze Day


homem segurando um copo na festa

Zwanze Day 2017


E depois, no meu roteiro inicial, iríamos talvez em algum bar, talvez delirium, ou nem isso, eis que, devido a dica dos Lobinhos que me deram no aeroporto indo para Amsterdam, descobri que teria o Zwanze day. Mas o que é isso?!?!? Zwanze day é o dia que há um lançamento anual do Cantillon, todo ano eles pensam numa cerveja doida e lançam num dia único no mundo, com barris espalhados por algumas cidades (NY, Bruxelas, Amsterdam, Berlin, Tókio,…) que serão bebidos somente nesse dia, enfim, único!!!!

Zwanze Day na De Druif

Essa Zwanze Day foi para comemorar o décimo oitavo aniversário do filho do dono da Cantillon. A cerveja para comemorar foi uma lambic de dois anos de idade fabricado com Oolong (Wulong), um chá azul-verde semi-fermentado. O bar escolhido para o Zwanze Day em Amsterdam foi o De Druif, por sorte bem próximo da Brouwerij ‘t IJ (já comentei que Deus ajuda os beudos né?), para beber tinha que pegar uma senha às 18 horas para beber só as 21 horas (horário local, mas todos os lugares do mundo estava seguindo o mesmo horário). Chegou as 21 horas, fui pegar minha cerveja. Teve fila pra pegar, conversei com o dono do bar, que até tirei foto com ele hehehe!! Peguei a cerveja!!! Puta cerveja funky, lambiczona, couro, deliciosa!!! A Alice odiou, hahaha, melhor pra mim!!!! Obrigado Lobinhos!!


copo de cerveja em frente ao bar

Zwanze Day no De Druif

dois homens bebados

“Vai Confraria”


Westvleteren12


Engradado de cervejas

Engradado de Westvleterens


Heeeey, mas faltava uma coisa ainda: Westvleteren12. Com medo de quebrar a garrafa nos vôos, preferi beber no mesmo dia, no hotel, e bebi ela lado a lado com a ST Bernadus Abt 12, que falam que é a mesma receita. Westvleteren12 é uma puta cerveja, muito arredondada, ótima, que Dark Strong Ale da porra, a Abt 12 já tinha mais presença de álcool, porém, ótima também, eram próximas porém não idênticas, mas a Abt 12 da pra enganar na abstinência de Westvleteren12.


duas garrafas de cerveja

Westvleteren XII e St. Bernardus Abt12


Depois desse dia maravilhoso, fui dormir igual criança pra aproveitar o dia seguinte, que é Oktoberfest!!!!!!!!!!!

porGui Came

Festa do Enterro

Ô cambada de Beudo Nojento, to aqui hoje pra falar da Festa do Enterro! Isso mesmo, juntamos os cervejeiros de panela de Belo Horizonte e região para abrir uma cova no Dia de Finados. Tudo isso, para enterrar algumas cervejas, e fazer disso uma festa. Ano que vem exumaremos as queridas garrafas e aproveitaremos para enterrarmos outra leva.

logomarca da festa do enterro, um caixao com uma cruz formada por uma pá e uma garrafa de cerveja

Logo e Adesivo da Festa do Enterro

 

Ideia

Tudo começou a um tempo atrás, na ilha do sol…. Não não não, nada disso, tudo começou no Festival da Confraria Cervejeiros do Brasil. Levei uma Double Oatmeal Stout e o confrade recem-conhecido Gabriel Mussiat (Maniacs, ex-WayBeer, ex-Zip Line) elogiou tanto a cerveja que acabou confessando 2 bombas. A primeira (momento ego inflado) é q a minha humilde cerveja tinha sido uma das melhores oatmeal stout nacionais que ele já bebeu, a segunda e mais importante/interessante, é que ele tinha em casa uma garrafa de uma Oatmeal Stout envelhecida em barris de Cabernet Sauvignon da Zip Line (cervejaria que ele trabalhou nos USA) que já estava guardada há 5 anos.

homens em votla da mesa bebndo e copo com cerveja envelhecida 5 anos

Dumorro, Gabriel Mussiat e Gui Caram bebendo o estoque | Oatmeal Stout envelhecida em baú de Cabernet Sauvignon engarrafada a 5 anos

Quintal e divulgação

Como me conheço muito bem, sempre soube que jamais conseguiria guardar uma cerveja por mais que 6 meses. Por isso tive a ideia de aproveitar do meu quintal e enterrar o que sobrou dessa leva. Mas como um bom beudo jamais se embebeda sozinho, preparei um caixão maior do que o previsto e soltei o convite para os cervejeiros da região, o convite rodou rápido, facebook e whatsapp ajuda bastante nessa hora. Tamanha foi minha surpresa que os cervejeiros e cervejeiras profissionais já estavam sabendo do evento! Foi numa conversa dessa que encontrei com a Fabiana Bontempo da Cervejaria Brücke, que estava super animada para participar e ajudou na realização disponibilizados por um preço módico 1 barril de Summer Time, uma Session IPA para ajudar a refrescar os coveiros.

choppeira e banners

Came Bier com apoio da Cervejaria Brücke

Festa do Enterro

Tudo preparado, pá, enxada, pacetta, cavadeira, caixão montado, adesivos impressos, cera derretida, música na caixa, quintal podado e choppeira gelada…

Uma pequena espera, e pouco a pouco foram chegando os convidados mórbidos. Cada um com suas preciosidades para serem enterradas, a medida que iam chegando, ganhavam adesivos e se preparavam para a selagem com cera. Giovani da Tofempz e Fabão da Fire in the hole, respectivamente de São Paulo e Jundiaí, enviaram suas cervejas pelos Correios e apesar de não poderem ajudar a cavar, estavam presentes em espírito e cervejas.

Cada chegada trazia uma nova onda de ânimo na escavação, até que depois de muita escavação e cerveja, atingimos uma profundidade considerada o suficiente para que em um dia de escassez de cerveja eu me canse ou durma antes de atingir o caixão…

Para finalizar o enterro, contamos com a ajuda de uma corrente humana e um drone para fazer as fotos aéreas. Valeu Rodrigo!

tenda sobre o quintal

Tenda para os coveiros

corrente humana de cerveja

Corrente humana

cova aberta

Cova funda

Caixa com cervejas

Caixão com cervejas

pessoas com ferramentas ao pé da cova

Turma de coveiros

cruz e rosa em cima da cova

Enterradas

 

Participações

Como bem disse lá em cima, contactei vários cervejeiros de Minas Gerais e de outros estados também, afinal de contas, homebrew é um hobby sadio e a internet possibilita encurtarmos distâncias, alguns conseguiram mandar cerveja, outros mesmo morando perto tiveram contra-tempos e não levaram as garrafas, mas num rompante de brasileiridade deram um jeitinho de participar da Festa do Enterro, contamos com Tulio da Verace que estava produzindo enterrando na área da fábrica em Nova Lima e Jamal Awadallak do Beer School enterrando em seu próprio quintal em Toledo no Paraná.

 

 

É isso galera, ano que vem desenterraremos as cervejas e manteremos a tradição de realizar essa festa anualmente. Até lá!

Acompanhem em breve todas as fotos em www.festadoenterro.com.br

 

porAlex Rodrigues do Nascimento

Fermento seco: Starter X Reidratação

Texto originalmente publicado no blog Ale.X Craft Beer

INTRODUÇÃO

No último post publicado neste blog traduzi um experimento do site Brülosophy em que foi investigado se havia diferenças perceptíveis entre uma mesma receita separada em dois lotes, um deles recebeu a levedura diretamente do pacote e o outro a levedura reidratada.

No texto de hoje, a comparação é entre a levedura reidratada e um starter (fermentação em pequena escala, na qual se busca a ativação e multiplicação das leveduras, tendo como principal objetivo garantir um número adequado de células viáveis para agilizar o início da fermentação da nossa cerveja, bem como propiciar um processo mais saudável).

Novamente, trata-se de uma tradução livre de um post original do site Brülosophy, na qual eu trago as principais informações, pinceladas com algumas opiniões minhas.

Ler mais

porMattevi

LOCOMOTIVE CERVEJA ARTESANAL

Com muita expectativa, Homebrewer.com.br apresenta oque com certeza será a melhor cervejaria do Brasil, guarde este nome #LOCOMOTIVE.

Cervejeiros experientes, com vários prêmios em concursos, know-how de sobra para alavancar a LOCOMOTIVE, do interior de Santa Catarina a todas as bodegas que tem valor. E até aquelas que não merecem uma breja tão boa. 🙂

Com foco em entregar um produto sem igual no mercado, total qualidade e mudar conceitos. A galera da LOCO vai tocar o terror !!

Gean Carlo Villa Lobus, Silvio Bianchini e Daniel Langer, inauguram dia 23 de setembro, regado a muito rock e grandes parceiros, em sua planta na cidade de Rio Negrinho – SC

Homebrewer convida todos para degustar as primeiras levas. Pessoalmente, experimentei já a Crazy Train (Extra Pale Ale) cheeeia de amarillo. E a resenha é pra lá de positiva.

Prova e me diz 😉

Cervejarias parceiras confirmadas:

BASTARDS
SWAMP
LINDENBIER
RIVER FALLS
PATA NEGRA

Bandas:

Retrô Rock
JET7
Rocka Bomb

Local: Planta da cervejaria no distrito industrial de Rio Negrinho
Rua Antonio Ferreira de Lima, 112
Aberto das 11:00 as 21:00

#prost

porRafael Aquino

Um pouco sobre a espuma da cerveja

Salve Salve cervejeiros,

para quem queimou suas primeiras panelas na época de ouro da comunidade “Cerveja Artesanal” do finado Orkut teve a oportunidade de conviver (virtualmente pelo menos) com grandes mestres que levantaram toda uma cultura cervejeira em nosso país, compartilhando todo seu brilhantismo com nós aspirantes que bebemos deste mar de conhecimento.

Em uma destas madrugadas discutindo sobre minúcias do processo cervejeiro, buscávamos uma espuma no minimo descente e tivemos a honra de contar com uma discussão bastante enriquecedora com nada mais nada menos que o grande mestre Paulo Schiaveto e outros mestres como Blas Sanchez, Wesley entre outros. Resgatando as memorias do passado que o Google fez o desdoiro de retirar do ar revivo este momento aqui para registro da história e serventia de novos aspirantes.

A Espuma

A Espuma na cerveja consiste basicamente em uma malha de proteínas/peptídeos de tamanho específico (nem muito grandes, nem muito pequenas), que “encapsula” as bolhas de gás desprendidas da fase líquida, através do aumento da tensão superficial.

A formação e estabilidade da espuma dependem então:

  • da quantidade e qualidade das proteínas na cerveja.
  • do tipo de gás dissolvido
  • do teor de gás dissolvido
  • da temperatura do líquido.
  • da viscosidade do líquido.
  • da presença de fatores que auxiliem a estabilidade da “malha” da espuma.

As proteínas e a espuma

As proteínas formadoras de espuma tem um tamanho (peso molecular) dentro de uma faixa específica.

No mosto de malte, em geral existem em quantidade suficiente para uma boa estabilidade. Logicamente quanto maior a quantidade de malte mais fácil fica obter uma boa espuma, não só pelas proteínas como pela viscosidade naturalmente maior.

Quando se faz a parada em 50-55ºC, favorece-se a quebra das proteínas do malte. Antigamente, quando os maltes eram menos modificados durante a germinação nas maltarias, essa etapa ajudava a assegurar que uma parte das proteínas de grande tamanho fosse quebrada até o tamanho ideal para uma boa espuma. Além disso, essa etapa era usada para evitar que se tivesse problemas com turvação protéica na cerveja acabada. Com os maltes de hoje em dia, esse repouso é praticamente desnecessário, o que pode ser facilmente comprovado na prática por muitos de vocês que não usam esse patamar e têm uma boa espuma. Ao contrário, paradas muito longas nessa faixa podem até ser nocivas à sua boa formação e estabilidade.

Alguns cereais tem um teor de proteínas maior que o malte e desde que bem aproveitados favorecem a formação de espuma, tais como a aveia e o centeio. Nestes casos, usa-se o repouso enzimático para que essas proteínas se quebrem no tamanho adequado para a espuma, e também por questões de rendimento.

O tipo de gás e a espuma

O gás é logicamente parte essencial na formação e também na estabilidade da espuma.

O CO2, formado durante a fermentação (e no priming, claro), é um gás “polar”, ou seja não é uma molécula eletricamente neutra. Isto envolve dois aspectos importantes. O primeiro é que o CO2 confere uma leve acidez a cerveja, sendo fundamental no equilíbrio de sabores. O segundo aspecto é que as bolhas de CO2 sempre terão uma estabilidade menor que a do seu novo “rival”, o Nitrogênio. Este, por ser um gás “apolar”, não interfere na estabilidade da espuma, sendo assim as bolhas (e o espaço entre elas) podem ser menores que as de CO2, o que facilita a formação e retenção de espuma. A suavidade ao paladar é maior também. Por outro lado, uma cerveja muito “nitrogenada” e pouco “carbonatada” vai dar a impressão de vazia, “choca”, justamente pela ausência da acidez e sensação “tátil” a que estamos acostumados com o CO2.

Por isso, muitas empresas usam uma mistura de gases, contendo uma parcela de nitrogênio suficiente para melhorar a espuma sem perder as benesses do CO2.

O teor de gás dissolvido e a temperatura

Quanto mais gás dissolvido, maior a tendência a espuma, desde que é claro a cerveja esteja em uma temperatura adequada para a liberação do gás.

A dissolução do gás é função da temperatura do líquido e da pressão. Então como todos já puderam comprovar abrindo uma cerveja “quente”, o gás sai da fase líquida rapidamente, formando aquela “cascata” de espuma.

Uma cerveja excessivamente gelada, deixará escapar menos gás, algumas vezes a formação da espuma pode ser prejudicada por isso, muito embora a viscosidade naturalmente maior a temperaturas mais baixas possa compensar a menor formação com uma estabilidade maior.

A viscosidade

Além de ser uma função da temperatura, a viscosidade da cerveja se deve principalmente àquela parte “não fermentável” do seu extrato. Ou seja, dextrinas, glucanos, etc.

Os glucanos em especial são muito viscosos. Considerados praticamente “inimigos” das grandes cervejarias, pois atrapalham muito a filtração do mosto e demais a filtração da cerveja.

Homebrewers em geral, ao contrário, os recebem geralmente de braços abertos, pois poucos estão preocupados em filtrar suas cervejas e torná-las superbrilhantes.

Os maltes de hoje em dia são bastante baixos em glucanos, por exigência óbvia do mercado de massa.

O uso de adjuntos contendo um teor mais elevado de glucanos, como aveia, trigo ou centeio, ajuda na estabilidade da espuma. Além, claro, do teor de proteínas mais elevado, já citado anteriormente.

Outros fatores que ajudam a estabilidade

Lúpulo: os alfa-ácidos ajudam a estabilizar a malha da espuma, então, para alegria dos “lupulomaníacos”, a espuma fica boa que é uma beleza!

Ausência de lipídeos: Os lipídeos em especial os acidos graxos destroem a espuma, então evite arraste excessivo de trub, evite autólise da levedura, mantenha os copos limpos (detergente neutro e muito muito bem enxaguados). E claro não vá criticar a espuma da cerveja com a boca cheia de torresmo, não é?

  • pH mais elevado: Na cerveja, não será neutro, é claro, porém fermentações um pouco mais contidas na velocidade levam a uma cerveja com pH ligeiramente superior, o que também favorece a estabilidade da espuma (lembram do “apolar-polar”?)

  • Aditivos: alginatos por exemplo, originários de algas marinhas, aumentam a viscosidade e por consequência a estabilidade da espuma. Mas convenhamos, nós temos tantas ferramentas e boas matérias-primas, é bem mais elegante usar outros métodos…

  • Íons metálicos: íons como Fe++ estabilizam a espuma, mas podem trazer aromas indesejados além de catalisar reações de oxidação.

pH da cerveja, perto de 4, menos favorável, mais perto de 5, mais favorável.

Esse pH  é bom para a fervura. Para a mostura, entre 5,2 e 5,5.

Um brinde a cerveja: a solução e a causa de todo os nossos problemas.

____Homer Simpson

porGui Came

Trip Cervejeira Beudos Nojentos – Parte 2

Aqui vai um breve relato da produção de cerveja que foi ralizada no meio de uma trip cervejeira apelida de “Beudos Nojentos Trip”, por motivos que se mostrarão óbvios no decorrer do relato, entre este que vos escreve Gui Came e Thiago Dumorro, respectivamente Came Bier e Brejaria Dumorro.
Caso não tenha lido a primeira parte da trip, clique aqui.

Mapa com a rota da trip cervejeira

Mapa do roteiro cervejeiro

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porAlex Rodrigues do Nascimento

Fermento seco: reidratar ou não?

Arrisco a dizer que a maior parte dos cervejeiros caseiros utiliza em suas produções o fermento seco, tanto pelo custo quanto pela facilidade de uso. E embora muitas pessoas relatem jogar o fermento seco diretamente no mosto resfriado, há um certo consenso de que a reidratação prévia seja uma prática altamente recomendada (e alguns diriam até que é obrigatória).

Um dos maiores fabricante informa no seu site que: “Embora a maioria dos fermentos secos irá funcionar se jogado diretamente no mosto, é recomendado que se siga as instruções de reidratação a fim de garantir uma performance otimizada da levedura.”

Portanto, jogar o fermento seco diretamente no mosto pode funcionar, porém a reidratação nos dá certa garantia de performance otimizada. Alguns estudos demonstraram que a viabilidade do fermento reduz em até 50% se este é jogado diretamente no mosto em comparação com o mesmo fermento reidratado antes da inoculação, o que é significativo para o cervejeiro caseiro que normalmente precisa confiar apenas em estimativas sobre a taxa de inoculação.

Assim, o objetivo deste experimento foi investigar as diferenças entre um fermento seco jogado diretamente mosto e o mesmo fermento reidratado antes da inoculação. O artigo original em inglês pode ser lido diretamente no Brülosophy. Esta tradução também foi publicada no meu blog.

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porErik Lobinho

Eisbock, a cerveja congelada

Recentemente realizei uma brassagem de uma Eisbock com meu irmão Wesley, e após postar o vídeo no nosso canal do Youtube, fiquei surpreendido por muitos não conhecerem o estilo. Então, resolvi criar este artigo para detalhar mais o estilo.

Se desejar assistir ao vídeo da brassagem da nossa Eisbock, ele estará no final do post.

História da Eisbock

Eisbock, pronunciado “ice-bock”. Esta cerveja surgiu na Alemanha na década de 1890. Em suma, esta cerveja geralmente começa como uma cerveja Doppelbock, então é congelada o suficiente para que a água se cristalize e se separe dos sólidos e do álcool e, em seguida, a essência rica da cerveja é drenada produzindo uma cerveja doce e muito alcoólica. Com quase nenhum amargor.
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porAlex Rodrigues do Nascimento

Fermentação Ale X Lager, na prática

Diferença de fermentação Ale e fermentação Lager

Inicio minha participação neste projeto trazendo parte de um trabalho que iniciei nos últimos meses, falando sobre fermentação.

Dois galões de cerveja de fermentação diferentesOlá cervejeiros!
O foco principal das minhas postagens visa facilitar o acesso dos cervejeiros caseiros brasileiros ao amplo material em inglês disponível na internet sobre homebrewing, em especial sites dedicados a experimentos cervejeiros, como o Brülosophy e o Braukaiser.

Trarei aqui as traduções e adaptações que tenho publicado no meu blog: https://alexcraftbeer.wordpress.com/.

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porGui Came

Trip Cervejeira Beudos Nojentos – Parte 1

Aqui vai um breve relato da produção de cerveja que foi realizada no meio de uma trip cervejeira apelidada de “Beudos Nojentos Trip”, por motivos que se mostrarão óbvios no decorrer do relato, entre este que vos escreve Gui Came e Thiago Dumorro, respectivamente Came Bier e Brejaria Dumorro.
Tudo começou com dois feriados em sextas-feiras seguidas (14 a 23 de Abril), um maluco de férias e o outro com banco de horas no serviço. Após algumas horas no Google Maps e Facebook, foi traçada a rota e os pontos para visita.

Mapa com a rota da trip cervejeira

Mapa do roteiro cervejeiro

    1. Belo Horizonte – Ouro Preto (105 Km)
    2. Ouro Preto – Capitólio (370 Km)
    3. Capitólio – Araxá (340 Km)
    4. Araxá – Divinópolis (340 Km)
    5. Divinópolis – Catas Altas (240 Km)
    6. Catas Altas – Belo Horizonte (120 Km)

Total de 1515 Km + 85 Km de andanças e caminhos errados = 1600 Km

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